Defesa abandona julgamento e Justiça manda prender 4 acusados de matar jovens; Ji-Paraná aparece no caso
Mais de 10 anos depois do crime, julgamento foi suspenso em Ariquemes após advogados deixarem o plenário.
Mais de dez anos depois das mortes de dois jovens durante um conflito agrário em Rondônia, o julgamento dos acusados foi suspenso nesta segunda-feira (14), em Ariquemes. A sessão do Tribunal do Júri foi interrompida depois que os advogados de defesa abandonaram o plenário. Com a situação, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro dos cinco acusados.
O caso aconteceu entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2016, em uma área rural de Cujubim, onde havia tensão envolvendo famílias sem-terra. Segundo o processo, o proprietário de uma fazenda teria contratado um grupo de segurança clandestina por R$ 105 mil para impedir a aproximação de famílias na região.
As vítimas foram A. H. S. L., de 23 anos, encontrado morto e carbonizado dentro de um veículo incendiado próximo à propriedade, e R. L. H., de 18 anos, que desapareceu e nunca foi localizado. As buscas pelo jovem foram encerradas quatro dias depois do desaparecimento. Durante a investigação, o grupo de vigilância chegou a trocar tiros com policiais militares, e um arsenal de armas foi apreendido.
A Justiça decretou a prisão preventiva de R. S., M. F. S., J. A. S. S. e S. S. S. O último era, na época dos fatos, presidente da Associação Rural de Ji-Paraná. Segundo o Ministério Público de Rondônia (MP-RO), as prisões têm como objetivo garantir a aplicação da lei penal e a instrução criminal até que uma nova sessão do Tribunal do Júri seja realizada.
Os quatro acusados também foram responsabilizados pelos custos e despesas provocados pelo cancelamento do julgamento.
Quinto acusado não teve prisão decretada
O quinto réu, P. I., de 74 anos, apontado como proprietário rural envolvido no caso, não participou da sessão. O processo dele foi desmembrado por causa de problemas de saúde. Ele possui diagnóstico de aneurisma da aorta torácica e deverá passar por uma avaliação médica determinada pela Justiça antes que uma nova data para o julgamento seja definida.
Processo se arrasta há mais de uma década
O julgamento desta segunda-feira não foi a primeira tentativa de levar o caso ao Tribunal do Júri. Em agosto de 2017, uma sessão acabou suspensa por causa da ausência de advogado. Em outubro do mesmo ano, o julgamento chegou a ser realizado, mas a decisão acabou sendo anulada posteriormente.
As defesas contestam as medidas determinadas pela Justiça. Os advogados de S. S. S. afirmam que não tiveram acesso integral às provas em tempo hábil e consideram as prisões abusivas. A defesa informou que pretende recorrer ao Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Já a defesa de P. I. sustenta que novos documentos foram incluídos no processo apenas cinco dias antes do julgamento, o que teria dificultado a análise do material. Os advogados também apontam as condições de saúde do acusado.
A nova data para o julgamento ainda será definida pela Justiça de Rondônia.
Fonte: G1/RO